Castelo de José Rico foi declarado de utilidade pública em Limeira e pode receber fãs após anos de abandono e leilões sem sucesso.
O castelo construído por José Rico, ícone da música sertaneja e parceiro de Milionário, pode ganhar um novo destino em Limeira após anos de abandono, disputas judiciais e tentativas frustradas de leilão.
Castelo de José Rico teve parte da área declarada de utilidade pública pela Prefeitura de Limeira, em decreto publicado no Diário Oficial nesta terça-feira (26). A medida não transfere imediatamente a posse do imóvel, mas abre caminho para estudos técnicos, avaliações e uma possível desapropriação futura.
A propriedade fica na zona rural do bairro Jaguari, às margens da Estrada Municipal LIM-486. Segundo o memorial descritivo do processo administrativo, a área total registrada em nome do espólio do artista tem 4,84 hectares, o equivalente a cerca de 48,4 mil metros quadrados.
A parte declarada de utilidade pública corresponde a 10.249,18 metros quadrados, aproximadamente 21% de toda a propriedade. É justamente nesse trecho que está localizada a construção conhecida nacionalmente como o castelo de José Rico.
A decisão reacende a memória de um dos nomes mais marcantes do sertanejo clássico. José Rico morreu em março de 2015, aos 68 anos, deixando clássicos ao lado de Milionário e uma imagem artística marcada por grandeza, dramaticidade e forte ligação com o público.
Castelo de José Rico pode ser aberto aos fãs
De acordo com a Prefeitura de Limeira, a declaração tem como finalidade preservar e conservar o patrimônio histórico, além de incentivar o desenvolvimento turístico e cultural ligado à memória do cantor. Com isso, o local poderá, no futuro, receber visitantes e fãs de José Rico.
A abertura ao público ainda depende de novas etapas. Uma eventual desapropriação poderá ocorrer por acordo amigável ou por via judicial, com base na legislação federal que autoriza intervenções do poder público para preservação de patrimônios históricos, culturais e paisagísticos.
Mesmo sem visitação imediata, o decreto muda o rumo da história do imóvel. Depois de anos associado a dívidas, abandono e tentativas de venda, o castelo pode deixar de ser apenas um bem parado em processo judicial para se tornar um espaço de memória da música sertaneja.
Leilões frustrados marcaram a história recente do imóvel
O castelo foi levado a leilão após uma ação trabalhista movida por um ex-funcionário, que cobrava uma dívida estimada em cerca de R$ 7 milhões. A 2ª Vara do Trabalho de Americana conduziu tentativas de venda entre 2023 e 2024, com valores e frações diferentes do terreno, mas nenhuma negociação foi concluída.
Desde então, o local permaneceu parado e passou a apresentar sinais de abandono. Para fãs de Milionário e José Rico, a possível preservação representa mais do que uma decisão administrativa: é uma chance de manter viva uma parte física da trajetória de um artista fundamental para o sertanejo brasileiro.
José Rico construiu uma carreira marcada por potência vocal, interpretações dramáticas e canções que atravessaram gerações. Ao lado de Milionário, consolidou uma das duplas mais importantes do país e ajudou a formar a memória afetiva de milhões de fãs.
Se o projeto avançar, Limeira poderá transformar o imóvel em ponto turístico, memorial ou espaço cultural dedicado ao cantor. Ainda não há confirmação sobre formato de visitação, calendário, estrutura interna ou modelo de administração do local.
Castelo de José Rico volta ao centro das atenções em um momento decisivo: após várias tentativas de leilão sem sucesso, o imóvel pode finalmente caminhar para uma solução que una preservação, turismo e homenagem a um dos maiores nomes da música sertaneja.